domingo, 21 de junho de 2009

Fogo ladeira acima, água ladeira abaixo

Um lugar parecido com a zona da mata..
a cana crescendo à frente, do outro lado da rua pavimentada de pedras.
As casas com as portas fechadas, casas pequenas, com poucas janelas, casas em terreno alto, em vários níveis..
casas de antigamente, como lá na rua dos meus avós.
Vou entrando nas casas, que acredito estarem abandonadas, o cheiro de umidade, de móveis velhos trancados no escuro..
cheiro de casa de gente do interior, cheiro doce da casa da minha bisavó..
a arquitetura das casas é muito estranha, cômodos mal divididos, cozinha pequena, não tem janelas, quartos angulosos, corredores apertados e sinuosos..
Numa das casas uns móveis tão lindos, madeira escura, fico apaixonada pelo mobiliário de um dos quartos.. e pensando se eu poderia ficar com eles já que ninguém mora mais alí .
Saio da casa, que acho que era pintada de azul e fico olhando a rua e o canavial em frente..
percebo que a cana está ainda muito nova.. coisa que bate na altura da cintura e fico besta quando percebo que começaram a queima da cana.
Estão queimando a cana antes do tempo e fico olhando o rastilho de fogo na terra preta..
fico olhando aquilo e vendo como parece que colocaram pólvora ou linhas de algum outro comburente entre a cana...
De repente, água..
muita água descendo a ladeira..
parecendo uma enxurrada como na minha infância eu ficava olhando de cima do casarão dos meus avós...
a água marrom, que descia dos morros, arrastando o lixo das ruas pro córrego próximo.
Mas não havia chuva..
e eu ficava olhando..
o fogo se aproximando, vermelho, contrastando com a cana ainda tão nova e verde..
a água azulada que descia pela rua, apenas água, sem trazer nada, como se limpasse apenas as pedras.

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