segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

ham -hams

Uma cidade de ladeiras, noite, escuro..
as cores voltaram a ser sombrias..
Estou com outra pessoa, um homem, procuramos nossa casa,
vejo as plantas, verdes na sombra,
vejo as fachadas das casas, cores esmaecidas pela noite.
Vamos andando e vejo os interiores das casas através das paredes..
Separei-me do N., estou com um novo namorado e deve ser por isso que buscamos uma casa nova...
Mesmo sendo sonho não consigo entender o porquê de ter me separado do N., sinto falta, sinto medo, sinto muito.
Já dentro de uma sala pequena, estamos presos, as grades estão fechadas, a casa tem as paredes caiadas de alguma cor que não me lembro, e eu tenho sentimentos de esperança de que o novo vai ser bom e ao mesmo tempo um ranço de incerteza e saudade preso na garganta.
Já estou em outro lugar, é tardinha, o clima está tão fresco e agradável...
Passeio ao lado de um canal, a luz é tão bonita, fico olhando a margem à frente, passando as mãos na grade, vendo a àgua escorrendo lá embaixo...
Passo por uma estrutura, uma casinha quadrada, branca de cal com grades pretas..
na parede lateral um batente com vários bichinhos, de longe penso que são gatinhos mas ao chegar perto reconheço hamisters gordinhos, de muitas cores e de vários tamanhos.
Uma mulher abre a portinha e diz que eu posso levar quantos eu quizer, que eles são muitos e que não pode ficar com todos..
Vou escolhendo meus bichinhos, saio pegando os maiores e mais gordos...
são muito rechonchudos e peludos, de várias cores..
Pego os brancos, enormes e balofos, pego marrons gigantescos, pego um rosadinho igual à pink que tive quando adolescente e saio enchendo a gaiolinha com muitos daqueles bichinhos que continuam dormindo mesmo eu fazendo muito rebuliço com eles.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Piau.

Uma avenida, acho que era a Agamenom Magalhães, alí pertinho, frente ao Hospital da restauração..
Eu ia andando e via a sujidade do meio fio, aquelas poças enegrecidas, um caldo negro e fedido que só por aqui pelo Recife a gente encontra.
Passo por uma grande caçamba de lixo e atrás dela, muitos gatinhos mortos, com olhos e bocas fechadas, estendidos no chão..
fico mal...
Continuo andando e olhando em direção ao meio fio, um gato com a boquinha arroxeada dá seu último suspiro, e eu continuo andando...
ainda mais mal...
Vejo rodas próximas ao meio fio, como rodas de bicicletas que são usadas pelos carroceiros-vendedores-de-caldo-de-cana-e-outras-coisas, vários gatinhos de aparência mais nova que os anteriores, miam, miam..
Eu com medo de que eles tenham o mesmo fim, quero leva-los todos comigo...
É impossível, só pego um, peludo e cinza, pequenino cabe na mão.
Coloco o bichano dentro da sacola que carrego nas mãos, como a sacola é de papel ele pode ficar acomodado lá com um certo conforto..
Estranho, abro a sacola e vejo o gato; fecho a sacola e tenho a imagem mental de um pinto amarelo...
Abro e fecho a sacola várias vezes, e a mesma imagem mental de um pinto amarelo dentro de uma sacola nas minhas mãos continua.
Sigo andando, vou pra algum lugar que não me lembro, mas é como seu tivesse pego um avião que parecia mais com uma sala de cinema..
E lá, eu no escuro do avião, abrindo a sacola e vendo um gato, fechando a sacola e vendo um pinto.