sábado, 2 de maio de 2009

Pano, papel e tesoura

Voltei à terra dos cachorrinhos de pano,
já havia estado lá antes,
o mesmo carro velho por entre os canaviais e pedaços de mata atlântica,
os mesmos barrancos,
a mesma luz..
até a vaca deitada no meio do caminho...
Quando chegamos ao local, encontro primeiro um gato gordo e meigo, e fico teimando pra levar ele comigo..
Mas eu sei que nessa terra todos os bichinhos têm donos e são muito amados.
Acarinho o gato e vou andando pras casinhas, são muitas, apertadinhas, formando ruas minúsculas onde só se passa andando..
vou olhando pra dentro das casas e vejo que os bichinhos de pano cresceram...
são inúmeros cachorrinhos de tecido, vivos e felizes com seus rabinhos abanando...
Vou seguindo sempre pelas ruinhas e encontro o cãozinho com que brinquei da outra vez que lá estive, ele está maior, sua estampa mudou por causa do crescimento, e ele é tão meigo e brincalhão, vejo nos seus olhinhos negros de botão tanta doçura que nem sei como pude deixá-lo fica lá quando fui embora da última vez.