quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

caminhando no cal

Andando, andando, andando...
Eu vestida pra festa, de salto preto, bolsa de mão e vestido tomara que caia andando pela rua, por trilhas..
Estou acompanhando Patrícia que vai andando à frente.
Vamos subindo por ladeiras, está anoitecendo, o ar fresco e perfumando pelas árvores e arbustos...
Vou olhado as ruas por onde seguimos e tudo transmite tranqüilidade.
Passamos por um lugar mais alto, onde entramos por uma área mais arborizada com ruas de paralepípedos; atravessamos uma pequena ponte por sobre um riacho; à direita vejo uma casinha de tijolos de porta e janela, sem reboco. A casa está com a janela aberta e eu fico olhando pra dentro dela, observando o movimento e reconheço o cigano lá dentro. Ele me vê e sorri, está sem camisa e com uma toalha jogada no ombro; ele vem me receber à porta e me convida para entrar.
Entro na casa, tudo é tão simples, passa aquele ar de apenas o necessário; na sala uma TV e vários pufes de garrafa pet que juntos se transformam num grande sofá, na cozinha uma geladeira sem porta e transbordando de gelo.
Sento no pufe que é super confortável e fico olhando aquele mundaréu de gelo, branco e fofo e fico rindo imaginando que aquilo seria um grande ar condicionado.
Sei que não posso me demorar e me despeço do cigano.
Continuo andando, seguindo Patrícia, o dia amanhece e passamos por uma planície de solo branco, com piscinas, que me lembram desalinizadores e poças de cal.
Seguimos andando e olho pros meus sapatos, que estão com as pontas brancas de pó; enfio o pé numa poça d’água encharco o sapato de água-branca.. olho para os pés de Patrícia e ela está com botas tipo sete-léguas... fico pensando em como ela é bem preparada..
Finalmente chegamos ao nosso objetivo, é um cemitério parecido com o de Santo Amaro. Paramos num boteco em frente à entrada e peço uma cerveja; não sei quem morreu, quem vai ser enterrado, mas sinto que isso não importa muito...
Voltamos ao bosque e próximo à casinha do cigano está tendo uma festa. Finalmente cheguei num lugar condizente com minha produção e é aniversário de Arlindo dos 8 baixos, tem muita gente na festa, pessoas que conheço de produções, do trabalho.
Estou com fome e vou procurar algo pra comer, um salgado, qualquer coisa... Vou pra sala onde vai haver o corte de bolo e fico olhando uma bandeja enorme com fatias gigantes de pudim... é um salão com grandes mesas cobertas por toalhas enceradas e não vejo bolo nenhum. Não como nada, fico apenas olhando o pudim.