Começou tão bonito.. o mar azulllll, a água mais cristalina impossível em todos os tons de azul imagináveis...
A areia branca.. a sensação de liberdade, de paraíso...
Ventinho nas folhas, humidade no ar com cheiro de terra e sal...
Os bigodes estavam lá.. e tinha chegado mais um.. um frajolinha mau-humorado que tinha que ficar de quarentena do lado de fora casa até acalmarem-se todos os ânimos felinos.
Mas, de repente, chega uma pessoa que nos manda fazer as malas rápido, que temos que pegar um helicóptero e ir pra outro lugar.. vou fazendo as malas com o máximo de pressa possível, mecanicamente, e coloco minha malinha humilde, velha e carcomida junto com as outras, que são verdadeiros baús de última geração...
Quem está lá é uma colega de trabalho ( homônima a uma prima minha), ela é a dona daquelas malas incríveis, de cor cinza..
As duas saem da casa e me deixam para fechar a porta da cozinha..
mas como?
e os bigodes????!!!!
Fico louca sem saber quanto tempo vamos passar fora, como eles vão ficar sozinhos??
Abro a porta e entro correndo, procurando vasilhas pra colocar água e comida sobressalente, pra deixar alguma janela aberta o suficiente pra que eles possam sair..
e as dúvidas, e os medos..
se eles saírem eles podem se machucar, podem ser maltratados, se eles ficarem a comida e a água podem acabar e eles podem morrer de fome ou de sede..
Ouço gritos lá fora, no portão.. as duas pessoas me chamam, dizem que temos que ir, que vão perder o vôo por minha causa..
E o frajolinha? como ele vai sair do cercadinho?
As mulheres gritam, e eu corro e penso com a maior rapidez que posso...
Deixo a porta da cozinha sem passar a chave, com o basculante destravado; só assim alguém poderá entrar e tomar conta dos bichanos, assim que eu tiver me livrado dessas duas e puder pedir ajuda a alguém..
Quando chego ao portão, levo um susto as duas pessoas que gritavam por mim são bem conhecidas, minha avó e minha prima, a casa é a velha casa de Beberibe.. as duas me acusam de estar atrapalhando, de estar atrasando-as, eu digo que não podemos ir embora assim, do nada e deixar as coisas pra trás como se não existissem..
Elas continuam brigando comigo, minha avó principalmente, começa a me falar coisas que sempre me machucaram quando ela me dizia quando ainda estava viva..
De repente já estou em outro lugar, ainda penso nos bichanos mas sei que eles estão ficarão bem, estou andando por um enorme terreno, parecido com um campo de futebol sem grama.. fico analisando as diversas cores da terra, preta (cheia de matéria orgânica), barro amarelo , barro vermelho, uma linda porção de terra ferroza, cor de ferrugem gritando aos olhos...
Minha prima vem e me diz que uma conhecida me pediu um favor, pra alugar o campo do Santa Cruz e que ela depois acerta comigo..
Fico pensando o absurdo do pedido, imaginando o tanto de dinheiro que deve ser alugar aquele troço..
Continuo andando, olhando a terra e suas variações de cores e digo à minha prima que não vou fazer favor nenhum, primeiro porque não tenho como alugar aquele campo, segundo porque não confio que a tal colega vá me pagar... e num lampejo entendo o porque de tanta terra colorida, estão corrigindo o solo daquele terreno e me encho de felicidade por saber que tanta cor bonita junto só pode dar em uma bela coisa.
domingo, 30 de agosto de 2009
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