segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Piau.

Uma avenida, acho que era a Agamenom Magalhães, alí pertinho, frente ao Hospital da restauração..
Eu ia andando e via a sujidade do meio fio, aquelas poças enegrecidas, um caldo negro e fedido que só por aqui pelo Recife a gente encontra.
Passo por uma grande caçamba de lixo e atrás dela, muitos gatinhos mortos, com olhos e bocas fechadas, estendidos no chão..
fico mal...
Continuo andando e olhando em direção ao meio fio, um gato com a boquinha arroxeada dá seu último suspiro, e eu continuo andando...
ainda mais mal...
Vejo rodas próximas ao meio fio, como rodas de bicicletas que são usadas pelos carroceiros-vendedores-de-caldo-de-cana-e-outras-coisas, vários gatinhos de aparência mais nova que os anteriores, miam, miam..
Eu com medo de que eles tenham o mesmo fim, quero leva-los todos comigo...
É impossível, só pego um, peludo e cinza, pequenino cabe na mão.
Coloco o bichano dentro da sacola que carrego nas mãos, como a sacola é de papel ele pode ficar acomodado lá com um certo conforto..
Estranho, abro a sacola e vejo o gato; fecho a sacola e tenho a imagem mental de um pinto amarelo...
Abro e fecho a sacola várias vezes, e a mesma imagem mental de um pinto amarelo dentro de uma sacola nas minhas mãos continua.
Sigo andando, vou pra algum lugar que não me lembro, mas é como seu tivesse pego um avião que parecia mais com uma sala de cinema..
E lá, eu no escuro do avião, abrindo a sacola e vendo um gato, fechando a sacola e vendo um pinto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário